"O Ataque aos Milionários" de Pedro Jorge Castro, 2014

1,409 views · Published 27 June 2014 · 17:08 · Indexed 11 October 2026

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Recensão e entrevista ao autor do livro "O Ataque aos Milionários": Pedro Jorge Castro em 2014

NOTA DO EDITOR:
"Os sindicalistas que assumiram o controlo do Banco Espírito Santo deixaram o momento registado no livro de honra da instituição com letras maiúsculas: «AQUI ACABOU O DOMÍNIO DOS CRIMINOSOS MONOPOLISTAS, INIMIGOS DO POVO E DA REVOLUÇÃO -- 11/3/75 ÀS 14 HORAS».

Estava prestes a entrar em acção o tenente Rosário Dias, assessor económico do primeiro-ministro. «Tenho informações de que neste momento os administradores do Banco Espírito Santo estão reunidos e vou lá prendê-los», anunciou. Começou assim a vaga de prisões que atingiu as famílias Espírito Santo, Mello e Champalimaud, transformadas em alvos do poder revolucionário por terem apoiado o Estado Novo e por terem enriquecido com o regime. Foi criado no país um ambiente generalizado de ódio aos ricos.

Álvaro Cunhal, líder do PCP, admitiu na altura: «Tem que se fazer contra alguém uma revolução (...) Se é para pôr outra vez os patrões à frente das empresas, nós dizemos não. Queremos que não haja uma recuperação pelos Champalimaud e pelos Mello». O objectivo foi atingido: as nacionalizações começaram a ser discretamente preparadas nos bastidores muito antes de terem sido oficialmente decretadas; e o gabinete de Vasco Gonçalves elaborou uma lista com 305 nomes de altos quadros dos bancos que não podiam sair do país e ficaram com as contas bancárias sob vigilância.

A Revolução de 1974/1975 é uma das páginas mais fascinantes da História contemporânea de Portugal: permitiu pôr fim à ditadura, à repressão da polícia política e à censura. Mas teve um lado controverso de excessos e perseguições.

Com base em três dezenas de entrevistas e em documentos, na maioria inéditos, conservados numa dezena de arquivos, o jornalista Pedro Jorge Castro reconstitui neste livro a forma como as famílias mais ricas viveram a Revolução que há 40 anos sacudiu Portugal."



NOTA DE RECENSÃO DA AGÊNCIA DE NOTÍCIAS «LUSA»
Lusa: 08 Abr, 2014, 20:18:

"Os factos remontam a março de 1975 e ao período subsequente, durante o qual, até à tomada de posse do VI Governo Provisório, liderado pelo almirante Pinheiro de Azevedo, se desencadearam prisões de vários empresários, como Rui Moreira, dono da Molaflex, mas com destaque para três famílias: os Mello, nas mãos de quem estava a CUF - Companhia União Fabril, o maior grupo empresarial português da altura, os Espírito Santo e os Champalimaud.

O alarme foi dado, escreve o jornalista e historiador Pedro Jorge Castro, pela tentativa de um golpe contra revolucionário, liderado pelo general António de Spínola, no dia 11 de março de 1975, que levou Vasco Gonçalves a refugiar-se na base naval do Alfeite. Acalmados os ânimos, o primeiro-tenente de Marinha Eduardo Rosário dos Santos, de 37 anos, decidiu então prender os administradores do Banco Espírito Santo, que estavam reunidos.

O autor conta que, quando o grupo de detidos chegou às portas da cadeia de Caxias, o diretor do estabelecimento não os autorizou entrar sem o mandado de captura, ao que o condutor de uma das viaturas que os transportava terá exclamado: "Mas estão aqui os Espírito Santo todos presos e não os deixam entrar? É a galinha dos ovos de ouro...".

A extensa lista de arquivos consultados pelo autor inclui os particulares de Fernando Martins, José Roquette, João Mendes de Almeida, assim como os dos ministérios das Finanças, dos Negócios Estrangeiros e da Defesa, do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas, da Associação 25 de Abril, do Centro de Documentação do 25 de Abril, da Universidade de Coimbra, e da agência Lusa, entre outros.

O autor anexa à obra a "lista dos membros dos ex-corpos sociais dos bancos que estiveram interditos de sair para o estrangeiro, após a nacionalização da banca".

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