Desbravando Salto da Água (Argentina)

1,296 views · Published 12 November 2017 · 18:49 · Indexed 19 October 2026

Channel: Jornal de Itupeva · 2017 · News & Politics

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Meu 5º e último exercício de aclimatação, como preparo para a escalada ao Monte Aconcágua, a maior montanha das Américas, teve ainda como palco a Província de Mendoza, na Argentina. 

Depois do difícil exercício realizado no dia anterior, quando rompi a barreira dos 4 mil metros no Cerro Adolfo Calle, segui para Salto da Água, conhecida pelos montanhistas simplesmente por Salto, cerro que integra ‘Córdon Del Plata, que é um lugar perfeito para a prática de montanhismo e escalada para todos os níveis, já que tem suas encostas nas mais variadas montanhas, com rotas de diferentes dificuldades técnicas, amplitude e altitude, um verdadeiro campo-escola para o andinismo e acessível a todos, uma vez que não é necessário pagar por permissões ao governo, como acontece, por exemplo, para escalar seu vizinho Aconcágua, que será meu próximo e difícil desafio. 

Fazendo uma breve retrospectiva, minha aclimatação contou com a ascensão a cinco montanhas na região conhecida como Vallecittos, sendo escalados os cerros Andresito, Lomas Blancas, Iluso passando também por Cerro Cáucaso e hoje finalizo em Salto das Águas, que também apresenta nível moderado de dificuldade ao montanhista. 

Para chegar ao cume do Cerro Salto da Água, ou Salto, é preciso percorrer uma trilha de 9 quilômetros, ou seja, uma dura caminhada de aproximada de 8 horas, bem por isso o montanhista precisa sair bem cedo do refúgio. Salto das Águas mede 4.300 metros de altitude e assim como os outros da região oferece uma vista privilegiada da região.

Às 6 horas da manhã já estou na trilha. O cenário inicial é praticamente o mesmo vislumbrado quando seguir para Adolfo Calle, já que o caminho é o mesmo. O rio formado por água de degelo dá o tom na caminhada, de ímpar beleza e formosura, chamado de Arroyo Vallecitos.  

Pouco mais de 2 quilômetros do refúgio fica uma área de acampamento muito característica, conhecida como “Veguitas”. Este local é utilizado por alguns montanhistas que preferem um pernoite mais próximo da base das montanhas. Quem acampa aqui, pode acordar mais tarde para o início da caminhada. 
Até praticamente a metade do caminho a rota é a mesma para os Cerros Adolfo Calle, Stepanek e San Bernardo.  

Seguindo o itinerário, o próximo acampamento é o Piedra Grande, a 3.500 metros de altitude, que também um bom local para acampar, porém, fica um pouco distante do riacho. O caminho até aqui foi razoavelmente  fácil. 

Continuando com o propósito, sigo para o destino do dia: Salto das Águas, ou simplesmente Salto, como é chamado. Ao atingir altitude superior a 4 mil metros, a vegetação desaparece. O caminho passa a ser sobre  enormes blocos rochosos destruídos e carregados pela ação pretérita do gelo.

Já próximo ao cume do Cerro Salto que se encontra a parte mais difícil da aproximação da montanha, um terreno bastante inclinado e escorregadio chamado de “infernillo”, inferninho em português, que leva tempo, cuidado e muita paciência para ser vencido.

8 horas e meia de caminhada e eu chego ao destino: Salto das Águas. Um lugar excelente para estabelecer acampamento. Apesar desta área ocupar uma espécie de cratera, com protuberâncias em praticamente todos os lados, em Salto venta muito e por isso os montanhistas costumam fazer muros de proteção com pedras para as barracas. 

O clima da cordilheira El Plata é bastante peculiar. No verão os dias amanhecem claros sem nuvens no céu, porém com o passar do tempo vão se formando nuvens e à tarde o céu costuma fechar, podendo até nevar. À noite é comum ter tempestades de raios que duram até o amanhecer. Do Salto não é possível avistar o Cerro Plata, pois o Cerro Lomas Amarillas atrapalha a visão. 

Do acampamento Salto das Águas, inicia-se a ascensão para o Cerro Rincón, Vallecitos e Lomas Amarillas, sendo que nestes últimos utilizam-se uma parte da rota de acesso ao Cerro Plata.
Acima de Salto de Água existe ainda outro acampamento, a 4600 metros.

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